A obra explora a vida de Elza Soares e como ela converteu adversidades em uma força criativa (Foto: Divulgação)
Passados quatro anos desde o falecimento de Elza Soares, ocorrido em janeiro de 2022, as Edições Sesc São Paulo apresentam o livro Elza Soares: insurreição na garganta, escrito pela jornalista e pesquisadora Lígia Moreli. A obra oferece uma análise da trajetória da cantora, explorando o que a autora define como “estética-política”, ou seja, a maneira como Elza transformou sua vida, marcada por experiências de pobreza, racismo, misoginia e violência, em uma poderosa expressão artística e um ato político.
A análise feita por Moreli foca no intervalo entre o lançamento do álbum A mulher do fim do mundo (2015) e a performance no Rock in Rio em 2019. Nesse período, Elza, aos quase 90 anos, experimentou uma renovada efervescência criativa. Trabalhando com jovens músicos da cena paulistana e sob a produção de Guilherme Kastrup, a cantora se apresentou mais provocativa do que nunca, abordando em suas letras temas como racismo, machismo, etarismo e violência de gênero, solidificando seu papel como uma das vozes mais contundentes da música brasileira contemporânea.
A narrativa do livro traça um percurso que vai desde a favela Moça Bonita, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro, até os palcos dos maiores festivais musicais do país. O texto rememora desde sua participação no programa de Ary Barroso — onde se apresentou dizendo vir “do planeta Fome” — até as décadas de esquecimento nos anos 1970 e 1980. A autora também destaca o apoio de Caetano Veloso no seu retorno à cena musical e sua consagração internacional ao ser reconhecida pela BBC de Londres como “cantora do século XX”. A análise é fundamentada por referenciais que perpassam temas como feminismo, psicanálise e estudos culturais — incluindo pensadores como Suely Rolnik, Jacques Rancière, Lélia Gonzalez, Paul Gilroy e Stuart Hall — posicionando Elza como uma figura que trouxe tecnologias ancestrais de resistência para o contexto cultural e político atual.
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Lígia Moreli, gestora de comunicação do Sesc São Paulo desde 2023, acompanhou as performances de Elza ao longo dos anos na instituição. O livro conta ainda com entrevistas realizadas entre 2022 e 2023 com artistas e pesquisadores que tiveram contato com a cantora. O prefácio é escrito pela artista e pesquisadora Fabiana Cozza. Além disso, o volume inclui fotografias do acervo da instituição e foi projetado pela Casa Rex.
As publicações das Edições Sesc São Paulo estão disponíveis nas unidades da instituição, nas principais livrarias e no portal www.sescsp.org.br/livraria
SOBRE A AUTORA
Lígia Moreli é formada em Jornalismo pela PUC-Campinas e possui mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Desde 2023 atua como gestora de comunicação no Sesc São Paulo. Sua trajetória na instituição também inclui a função de gerente adjunta nas unidades de Sorocaba e Pinheiros, com foco no desenvolvimento de projetos culturais voltados à música.
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SOBRE AS EDIÇÕES SESC SÃO PAULO
Dedicadas à educação contínua e ao acesso à cultura, as Edições Sesc São Paulo publicam obras que abrangem diversas áreas do conhecimento em harmonia com a programação oferecida pelo Sesc. O catálogo da editora é diversificado e visa preservar e disseminar conteúdos sobre diferentes aspectos da contemporaneidade. Os títulos podem ser encontrados nas Lojas Sesc, na livraria virtual do Portal Sesc São Paulo, nas principais livrarias físicas e em aplicativos como Google Play e Apple Store.
