terça-feira, julho 21

Rafa Kalimann compartilha experiências de solidão durante a gravidez e especialista discute efeitos na saúde mental

Rafa Kalimann compartilha sua experiência de solidão na gestação e psicóloga analisa os efeitos na saúde mental (Foto: Instagram/Rafa Kalimann)

A experiência de Rafa Kalimann sobre a sensação de solidão durante a gravidez de seu filho, Zuza, ganhou destaque nas redes sociais, refletindo o desamparo emocional que muitas mulheres podem sentir nesse período. No documentário que lançou, a influenciadora revelou ter enfrentado momentos de medo e ansiedade, destacando a necessidade de apoio do parceiro, o cantor Nattan.

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, criadora do Instituto MaterOnline, salienta que a gravidez pode evocar emoções contraditórias simultaneamente, mesmo quando a gestação é planejada. Sentimentos como amor, medo, frustração e insegurança podem coexistir, principalmente em situações onde a mulher não se sente apoiada.

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“É comum experimentar altos e baixos ao longo da gestação. A ambivalência traz amor e frustração como sentimentos opostos coexistindo na mesma pessoa. Por isso ocorrem essas oscilações emocionais”, explica Rafaela.

A especialista enfatiza que essa oscilação emocional não reflete falta de amor pela criança. Muitas vezes, as mulheres desejam ser mães, mas enfrentam desconfortos físicos e emocionais, além de preocupações sobre o futuro e mudanças nas relações pessoais.

“A mulher pode ter sonhado em ser mãe e desejado a gravidez, mas por diversas razões essa experiência pode não ser tão gratificante quanto esperado. Assim, ela pode oscilar entre se sentir bem e mal em relação à gestação”, afirma.

A solidão vai além da presença física

No documentário, Rafa também mencionou sentir-se desprezada em um estágio avançado da gravidez. Nattan admitiu que houve um afastamento emocional entre eles, mesmo quando ele estava presente fisicamente.

Para Rafaela Schiavo, estar presente durante a gestação não se limita à simples localização física. O apoio emocional inclui ouvir ativamente, compartilhar responsabilidades e estar disposto a acolher a mulher durante um período repleto de transformações.

“Quando temos um pai ativo que participa das tarefas diárias — como dar banho ou alimentar — isso atua como um fator protetor para a saúde mental da mãe. Isso ajuda a mulher a não se sentir sobrecarregada e perceber que está dividindo as responsabilidades com alguém igualmente comprometido”, analisa.

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A psicóloga observa que o nascimento de um bebê tende a gerar pressão sobre o casal; no entanto, uma parceria eficaz pode alterar significativamente como essa pressão é enfrentada.

“Os casais já enfrentam desafios ao ter um bebê pequeno em casa. Contudo, quando há divisão de tarefas e colaboração mútua, isso contribui enormemente para o bem-estar emocional da mãe e facilita o desenvolvimento familiar”, conclui.

A saúde mental dos pais também deve ser considerada

Rafaela Schiavo acredita que relatos como os de Rafa Kalimann promovem uma discussão mais ampla sobre o sofrimento emocional dos homens durante o período perinatal. A psicóloga ressalta que a ausência ou distanciamento do pai devem ser analisados no contexto adequado.

Ela destaca que embora alguns homens possam estar manifestando irresponsabilidade afetiva, outros podem demonstrar dificuldades emocionais ao lidar com a paternidade iminente por meio do afastamento ou distrações.

“Ao observamos uma situação desse tipo, precisamos considerar também o lado do pai. Não para justificar uma ausência, mas para reconhecer que homens também podem passar por dificuldades emocionais durante esses períodos”, afirma Rafaela.

A especialista esclarece que embora a gravidez ocorra no corpo da mulher, as mudanças associadas à parentalidade também afetam os homens. Portanto, é crucial investigar se essas atitudes eram anteriores ou se houve uma mudança na dinâmica do relacionamento após a chegada do bebê.

“Às vezes o homem age apenas com irresponsabilidade. Mas em outras situações pode haver sofrimento emocional manifestado através do afastamento ou dificuldade em lidar com essa nova realidade”, explica.

<pEsse entendimento não minimiza a dor vivida pela mulher; pelo contrário, amplia a percepção sobre as dinâmicas familiares e reforça que tanto saúde mental materna quanto paterna devem ser discutidas conjuntamente.

 

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Os primeiros meses também são desafiadores

Rafa Kalimann já havia abordado publicamente questões relacionadas à depressão e síndrome do pânico durante sua gestação. Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, os primeiros meses podem ser especialmente complicados porque embora as mulheres saibam que estão grávidas devido ao teste positivo, nem sempre sentem fisicamente essa realidade logo de início.

“Nos estágios iniciais da gravidez muitas mulheres não têm certeza concreta da sua condição. Elas sabem intelectualmente porque realizaram testes positivos ou consultas médicas mas ainda não experimentaram fisicamente os sinais típicos da gravidez” , esclarece ela.

Conforme Rafaela menciona ainda que o vínculo com o bebê se desenvolve gradualmente à medida que as mudanças corporais tornam-se evidentes e os movimentos fetais começam a ser percebidos pela mulher e pela família.

Mudanças físicas impactam na autoestima

Além das questões emocionais inerentes à gestação , as transformações físicas também podem afetar negativamente a autoestima das mulheres . O ganho de peso , aumento abdominal , crescimento dos seios , manchas cutâneas e estrias são elementos comuns desse processo , mas nem sempre são aceitos sem dificuldades .

“Se uma mulher tem expectativas rígidas sobre seu corpo — como estar sempre magra ou evitar marcas indesejadas — ela pode começar a ter dificuldades ao olhar no espelho , afetando seu estado emocional ” , observa Rafaela .

A psicóloga enfatiza que reconhecer esse sofrimento não implica ver a gravidez sob uma perspectiva negativa . A questão reside em abandonar o mito de que cada gestante deve estar feliz ininterruptamente .

Quando procurar apoio profissional

Oscilações emocionais são normais durante a gravidez , porém merecem atenção especial quando o sofrimento torna-se intenso ou frequente , prejudicando sono , apetite ou relações interpessoais.

Em situações de tristeza persistente , ansiedade elevada , crises agudas ou sensações constantes de desamparo , recomenda-se buscar auxílio profissional imediatamente.

Para Rafaela , discutir saúde mental materna é fundamental para diminuir o sentimento de culpa nas mulheres que não vivenciam esse período conforme idealizado socialmente.

“É normal oscilar entre momentos bons e ruins durante essa fase.” “O importante é enfrentar esses sentimentos.” </

Quem é Rafaela Schiavo?

Conclusão:

Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal reconhecida por seu trabalho dedicado à saúde mental materna desde sua formação acadêmica inicial até hoje . Com várias publicações científicas focadas na redução das taxas elevadas de problemas emocionais entre mães no Brasil , ela possui formação sólida nas áreas de Psicologia do Desenvolvimento e Saúde Coletiva pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Após concluir seu doutorado nesta instituição renomada fez pós-doutorado na UNESP/Bauru integrando programas ligados à Psicologia do Desenvolvimento.

Sua vasta experiência abrange temas como desenvolvimento pré-natal até os primeiros anos da infância com foco na Psicologia Perinatal.