domingo, julho 19

Da fita ao digital: Estúdio Urutu e Algohits apresentam série inédita filmada exclusivamente em formato analógico

Do analógico ao streaming: Estúdio Urutu e Algohits lançam série gravada 100% em fita magnética (Foto: Julia Missagia)

No atual cenário em que a produção musical se torna cada vez mais digital e dependente de softwares para edição, uma nova parceria entre o Estúdio Urutu e a Algohits surge como um antídoto. O projeto URUTU FITAS traz de volta o som puro e autêntico da gravação em fita magnética. Essa série audiovisual é inteiramente realizada de forma analógica, com captação em take único, no Centro Histórico de São Paulo, e será distribuída mensalmente nas plataformas digitais.

A iniciativa reúne um total de oito artistas, que se apresentam ao vivo, sem qualquer edição, diante de uma plateia no estúdio. A série teve seu início com a apresentação de Carol Maia (ao vivo), lançada em 9 de abril, seguida por Lau e Eu (ao vivo), disponibilizada em 7 de maio.

Localizado na interseção das regiões da República e Anhangabaú, o Estúdio Urutu se estabeleceu como um dos mais distintos ambientes da cena musical em São Paulo. Artistas renomados como Toninho Horta, Zezé Motta, Alaíde Costa, entre outros, já passaram por suas instalações.

Em contraste com as gravações convencionais atuais, o Estúdio Urutu adota uma abordagem quase cinematográfica: não há camadas digitais excessivas ou correções intermináveis. O som é capturado utilizando uma mesa Soundcraft Ghost de 24 canais e gravado em um Tascam ATR80, mantendo a textura sonora original e as sutis imperfeições que conferem singularidade a cada gravação.

Otavio Cintra, que é o idealizador e diretor técnico do estúdio, destaca que esse método transforma a relação do artista com sua performance. “No Urutu, o fluxo analógico prioriza a autenticidade da apresentação. A gravação em fita magnética elimina a possibilidade de ‘desfazer’, conferindo à obra uma gravidade e uma textura sonora que o formato digital raramente consegue igualar.”

O objetivo do URUTU FITAS é transformar essa rigorosa técnica em uma experiência artística. Vicente Barroso, coordenador e curador do estúdio, explica que a série registra artistas brasileiros durante momentos significativos em suas trajetórias criativas.

“O URUTU FITAS foi concebido para capturar artistas brasileiros que estão vivendo períodos marcantes em suas carreiras. Eles buscam registrar um take único que reafirme sua identidade musical.”

Nesta colaboração, a Algohits atua como um hub para distribuição e estratégia, levando o conteúdo analógico para o universo digital sem perder sua essência original. Aline de Miranda, estrategista de comunicação do Estúdio Urutu, enfatiza a importância da combinação entre curadoria cuidadosa, técnica apurada e alcance digital. “Estamos ensinando os algoritmos sobre som real. Com essa parceria, trazemos a magia do analógico para as plataformas digitais.”

Ivan Staicov, gerente da Algohits, sintetiza a proposta como uma fusão entre tradição e escala moderna. “A grande inovação é valorizar o analógico sem sacrificar a força da distribuição massiva proporcionada pelo digital.”

Com lançamentos programados mensalmente, o URUTU FITAS apresenta-se como uma resposta à padronização sonora predominante no mercado atual: trata-se de um projeto que coloca as performances no centro das atenções e transforma erros em linguagem artística ao levar para o streaming uma estética antes limitada às fitas magnéticas.

 

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