domingo, julho 19

Tecnologia de empresa que gerou confusão com sacos de lixo no CE segue sem esclarecimento

Situação envolvendo tecnologia de empresa no Ceará gera confusão entre rostos e objetos, como sacos de lixo (Foto: Reprodução)

Imagine precisar de um sistema para identificar rostos de indivíduos envolvidos em atividades criminosas e se deparar com uma tecnologia que comete erros graves, como confundir faces humanas com diversos objetos, incluindo sacos de lixo. Para agravar a situação, os contratos associados a essa tecnologia estão sob investigação por possíveis conluios em licitações.

Esse cenário é verídico e ocorre desde 2025 no estado do Ceará, onde o Ministério Público está analisando os contratos do governo estadual relacionados à Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) e à empresa privada IPQ Tecnologia. Esta última é responsável pelo videomonitoramento e pela gestão de dados em nuvem. O sistema atualmente conta com cerca de 2,5 mil câmeras espalhadas pelo Estado.

Desde sua implementação, o sistema de videomonitoramento tem apresentado falhas recorrentes, chegando a confundir rostos humanos com variados objetos, como sacos de lixo. A precisão do sistema é alarmante, alcançando até 86% em casos onde ocorrem essas falhas. Das 2,5 mil câmeras instaladas, apenas 100 possuem funcionalidades de reconhecimento facial, e nenhuma delas utiliza Inteligência Artificial, conforme informações divulgadas pelo jornal “O Antagonista”.

Entretanto, as complicações vão além dos problemas técnicos. Os contratos estão sob investigação por parte do Ministério Público do Ceará devido a indícios de irregularidades nas licitações, que foram suspensas pelo Tribunal de Contas do Ceará. O montante total dos contratos em questão chega a R$ 254 milhões em 2025. A IPQ Tecnologia está sendo alvo de um procedimento administrativo aberto pela Procuradoria-Geral do Estado do Ceará por supostas práticas anticoncorrenciais em processos eletrônicos dentro da Etice, segundo documentos que relatam as denúncias.

A empresa também enfrenta dificuldades fora do Ceará; segundo informações do jornal “O Antagonista”, a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul anulou um contrato no valor de R$ 71 milhões neste ano, que havia sido firmado com a IPQ Tecnologia LTDA para serviços de monitoramento eletrônico.

Este contrato no Rio Grande do Sul estava previsto para entrar em vigor em fevereiro deste ano, mas foi suspenso pela Secretaria de Segurança Pública Estadual devido a suspeitas sobre os valores das licitações.

Ainda não há atualizações sobre o progresso da investigação conduzida pelo Ministério Público do Ceará relacionada aos contratos para videomonitoramento estatal, que poderiam totalizar até R$ 1,5 bilhão.