Creatina e depressão: cientistas investigam suplemento como aliado da saúde mental
Durante um longo período, a creatina foi diretamente associada ao mundo da musculação e do desempenho esportivo. Contudo, o suplemento mais pesquisado do planeta começa a ser explorado em um contexto completamente diferente: a saúde mental. Estudos recentes estão indicando que a creatina pode desempenhar um papel complementar no tratamento da depressão, especialmente quando combinada com o acompanhamento médico adequado.
A descoberta despertou interesse, porém, é preciso cautela. Afinal, o que a ciência já confirmou nesse sentido? E o que ainda está sendo investigado?
O que as pesquisas revelam até o momento
Ensaios clínicos controlados e revisões científicas sugerem que a creatina pode potencializar a resposta ao tratamento antidepressivo em alguns pacientes. Um dos estudos mais citados, divulgado no American Journal of Psychiatry, destacou que mulheres com transtorno depressivo grave que utilizaram creatina como complemento ao antidepressivo apresentaram uma melhoria mais rápida e uma redução mais significativa dos sintomas em comparação ao grupo que recebeu placebo.
Revisões sistemáticas mais recentes, realizadas entre 2023 e 2024, corroboram essa descoberta: a creatina não atua como um antidepressivo isolado, mas pode funcionar como um auxiliar terapêutico em certos cenários clínicos. No entanto, os próprios pesquisadores destacam que são necessários estudos mais abrangentes, envolvendo populações mais diversas, para que essa estratégia seja incorporada às diretrizes oficiais.
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Por que um suplemento muscular está sendo mencionado no contexto da depressão?
A resposta não está nos músculos, mas sim no cérebro.
A creatina participa diretamente no sistema energético das células, especialmente no mecanismo que envolve ATP e fosfocreatina, uma forma de “reserva rápida de energia”. O cérebro é um dos órgãos que mais consome energia no corpo humano. Em alguns pacientes com depressão, estudos indicam alterações no metabolismo cerebral, na função mitocondrial e na produção energética neuronal.
De acordo com o Dr. Ronan Araujo, médico nutrólogo especializado em metabolismo e saúde integrativa, esse é o ponto crucial da discussão:
“Atualmente, sabemos que a depressão não é apenas um problema emocional. Em muitos casos, há um componente metabólico e bioenergético significativo. A creatina entra nesse contexto como uma substância capaz de melhorar a eficiência energética das células cerebrais, o que pode impactar sintomas como fadiga mental, lentidão cognitiva e falta de motivação.”
