domingo, julho 19

Estratégias para mães não convencionais: preservando a saúde mental em meio à pressão do dia a dia

Mães atípicas e a busca por saúde mental em meio à rotina exigente (Foto: Divulgação)

Neste Dia das Mães, o psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, que ocupa a posição de CEO da GnTech, destaca os desafios emocionais enfrentados por mães atípicas. Ele enfatiza a necessidade de implementar estratégias que minimizem a sobrecarga, a culpa e a exaustão, sem deixar de lado o autocuidado. “A maternidade atípica é marcada por demandas incessantes, muitas vezes intensas e imprevisíveis. Há uma carga extra ligada à administração de terapias, consultas médicas, intervenções precoces e adaptações necessárias na rotina”, detalha.

É comum que essas mães vivam em um estado constante de alerta, frequentemente colocando sua própria saúde mental em segundo plano. “Os sinais mais frequentes incluem cansaço crônico, irritação, sensação de sobrecarga incessante, dificuldades para se concentrar e distúrbios no sono. Em situações mais críticas, podem surgir sintomas relacionados à ansiedade ou depressão”, ressalta Guido.

Segundo ele, um dos principais obstáculos é a maneira como muitas mães passam a perceber o autocuidado como algo secundário. “Questões como culpa, pressão social e falta de tempo fazem com que o autocuidado seja encarado como um luxo ou algo dispensável. Muitas vezes, essa negligência não é uma escolha deliberada, mas sim uma consequência das exigências cotidianas”, explica.

Entre as práticas recomendadas pelo especialista para aliviar o dia a dia estão: momentos breves de autocuidado para reduzir a carga emocional; construir uma rede de apoio sólida que inclua familiares, parceiros e profissionais; promover a psicoeducação para entender melhor as condições da criança; estabelecer rotinas previsíveis que ajudem a mitigar o estresse associado à incerteza; e buscar psicoterapia para fortalecer o bem-estar emocional.

Além disso, ele reforça que essas práticas não devem ser carregadas de culpa. “A culpa é um sentimento comum entre essas mães e muitas vezes está conectada a padrões rígidos internos sobre ser uma boa mãe. Trabalhar essa questão implica reavaliar essas crenças e reconhecer que o autocuidado não compete com o cuidado da criança; na verdade, ele é fundamental para sustentá-lo”, salienta.

Outro aspecto relevante é que um diagnóstico correto e um acompanhamento adequado da criança ajudam a diminuir a insegurança. “Um diagnóstico preciso proporciona acesso a intervenções baseadas em evidências e orientação profissional adequada, aumentando assim a compreensão sobre os comportamentos da criança. Isso alivia a carga que recai exclusivamente sobre as mães”, comenta o especialista.

Apesar das dificuldades enfrentadas, Guido destaca que a maternidade atípica não deve ser vista apenas sob uma perspectiva negativa. “Muitas mães relatam desenvolver resiliência, expandir suas habilidades emocionais e criar laços profundos com seus filhos. No entanto, idealizar essa experiência pode ocultar necessidades reais de suporte. O equilíbrio reside em reconhecer tanto os desafios quanto as potencialidades dessa jornada”, conclui.

Sobre Guido Boabaid May

Com mais de 32 anos de experiência na psiquiatria e tendo realizado mais de 110 mil atendimentos, Dr. Guido Boabaid May é um dos pioneiros em farmacogenética no Brasil e fundador da GnTech — uma empresa de biotecnologia líder nesse campo no país. Sob sua liderança, foram realizados mais de 25 mil testes farmacogenéticos e sua empresa abriga o maior banco de dados desse tipo referente à população brasileira. Além disso, ele integra o Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro “Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.

 

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